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Oitenta anos de histórias

Oct 19
2 min read

Dono do Bar do Oswaldo, Rommel Cardozo revisita momentos de uma Barra que poucos conheceram

Tem gente que conta histórias. Rommel Cardozo, dono do Bar do Oswaldo, patrimônio etílico e afetivo da Barra da Tijuca, faz mais: abre o arquivo vivo de um bairro que já foi quase uma terra sem lei. E, quando resolve falar, o Instagram da Folha do Bosque vira uma mesa de bar com audiência de estádio.


A sequência de cortes do Podcast com Rommel (o PodFolha) explodiu nas redes. Foram quatro capítulos de uma Barra que pouca gente conhece, mas que todo morador deveria ouvir. Afinal, são 80 anos de Bar do Oswaldo, desde 1946, quando a região ainda tinha mais mato do que endereço e telefone era artigo de ficção científica.


No primeiro vídeo, Rommel fala da famosa Rua dos Motéis, vizinha do bar, e revela histórias que fariam muito roteirista de novela ficar milionário. Um sujeito já contou que era fruto de uma noitada dos pais no Oswaldo. Outro foi ainda mais específico: brigado com a mulher, foi ao bar com ela, os dois fizeram as pazes com a batida, seguiram para a Joatinga e, meses depois, nasceu o herdeiro. Tem bebida que deixa lembrança. Essa batida, pelo visto, deixa descendência.


No segundo corte, a conversa volta à Barra de 1946, quando a segurança era quase artesanal. Os garçons eram contratados pelo tamanho do braço, porque havia freguês que consumia, não pagava e ainda queria sair na mão. Era preciso servir a cerveja e, se necessário, aplicar a lei do bíceps.


Foi também o pai de Rommel, o saudoso Oswaldo Cardozo, criador da batida que virou lenda, quem trouxe o primeiro telefone da Barra. Naquele tempo, conectar o bairro ao mundo exigia mais do que um bom sinal: exigia coragem e iniciativa.


No terceiro vídeo, Rommel conta que já foi assaltado três vezes na Barra e defende leis mais duras para os criminosos. É o relato de quem viu o bairro mudar e não aceita que a violência vire parte da paisagem.


O quarto capítulo resgata a época dos pitboys, quando Rommel foi às ruas ao lado de lutadores famosos para combater a fama de briguentos que perseguia o jiu-jítsu. Uma história de coragem, atitude e tentativa de separar o esporte da selvageria.


Quatro cortes, quatro histórias e uma certeza: a Barra mudou muito, mas continua rendendo assunto. E a Folha do Bosque segue fazendo o que sabe há quase três décadas: contar a vida do bairro com a voz de quem viveu tudo de perto. Quando o personagem é Rommel Cardozo, até a história tem gosto de batida!


 
 
 

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