“Leva no Gringo que ele resolve”

Como o engenheiro eletrônico Ali Soliman saiu da Síria para solucionar os problemas mais improváveis de celular no Brasil

Por Luiz Neto


Alepo, cidade no norte da Síria, 2006. O menino Ali Soliman, de 13 anos, conserta celulares em meio a guerras, numa das cidades mais antigas do mundo. Apaixonado por smarthphones desde que ganhou o seu Nokia, em 2001, Ali se formou em engenharia eletrônica. Foi quando entrou em um hotel na cidade de Tartus e se apaixonou pela guia de turismo Riyam Daoud. Estava selado ali o seu destino. Riyam tinha nacionalidade brasileira, o irmão de Ali havia acabado de perder um braço na guerra e seu pai não queria o sofrimento de outro filho. E em 2017, num prédio da Central do

Brasil, o Gringo, como era conhecido, iniciava a sua jornada em terras tupiniquins. Na loja, claro, ele consertava iPhones e tudo quanto é tipo de aparelho celular.


Ali dava jeito em qualquer problema que nenhum técnico conseguia resolver. Consertava as placas dos celulares e deixava os brazucas de queixo caído com a sua habilidade.


Da Central veio trabalhar no Città America, até montar a sua própria assistência técnica, aqui no condomínio Barra Prime. O nome, iGringo, era a senha que faltava para o sucesso.

“Já fiz mais de dez mil serviços em aparelhos. Todo mundo que chega aqui fala. Me mandaram levar o celular no gringo que ele resolve”, diz, cheio de sotaque, mas com o português afiado.

Ali é um gênio das arábias. Em menos de dois anos já falava português. Foi estudar letras na UFRJ para ter um curso superior brasileiro.


Hoje, ele calcula ter mais de 12 assistências técnicas que mandam o aparelho para ele consertar.


“Meu celular caiu de 30 metros de altura e se espatifou. Em uma hora o gringo deixou ele novo”, diz Eduarda Cambraia sobre Ali em uma das avaliações do seu trabalho no Google. “O laboratório dele é o mais completo. É o único que recupera a placa mãe dos MacBooks, iPhones e iPads”, diz outra avaliação.


“Faço mesmo o serviço que ninguém faz devido a minha experiência. Sem contar que tem muito trabalho mal feito por aí. É comum eu receber aparelhos que acabaram de ser reparados e voltaram a dar defeito. Porque o serviço não é bem feito”, diz o gringo.

Ali com Ryam: sua mulher e braço direito

Há dois anos, quando o trabalho ia de vento em popa, Ali sofreu um duro golpe. A morte da mãe abalou suas estruturas. “Ela morreu de saudades de mim”, diz. Ficou 15 dias em estado de choque. Ano passado, esteve na Síria ajudando na construção do túmulo da mãe, como reza a cultura síria que valoriza os túmulos como santuários.


APAIXONADO PELA BARRA DA TIJUCA


De volta ao Brasil e para o bairro que se apaixonou, a Barra da Tijuca, Ali foi correndo comer o seu estrogonofe. São duas coisas que o gringo não esquece. O dia que entrou no bairro pela primeira vez e se encantou com o lugar, e o primeiro estrogonofe que comeu na vida, na Central do Brasil.

Sua mulher Riyam guarda as fotos até hoje. “Não tem essa comida lá. Não tem arroz e nem feijão. Na Síria comemos tudo com pão”, comenta ela.


Riyam também alimenta o gringo com seu falafel, kafta e abobrinhas recheadas. Quando chegou ao Brasil mal sabia ferver água, mas aprendeu a fazer comida árabe com a mãe de Ali, pelo telefone. Agora, ela se aventura também no conserto de aparelhos. Treinada pelo rei dos celulares seu futuro é promissor...


iGringo

Assistência Técnica Apple - Conserto de iPhone, iPad, Apple Watch, MacBook e qualquer tipo de celular.

WhatsApp: 96746-1122.


Endereço: Shopping Barra Prime - Avenida Afonso Arinos de Melo Franco 222. Bloco 2A, sala 209.


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Ali na reportagem de capa da Folha