A noite diferenciada está de volta

Candidato ao posto de melhor bar da Barra, Salomé segue a retomada dos trabalhos a todo vapor. Até a música ao vivo já está de volta ao lugar

O chef Matheus Silva com o seu pai, Fabiano Alvez. Retomada em família

O chope acabou de chegar, a caneca está cheia, geladassa e o fotógrafo da Folha senta o dedo na câmera fazendo os cliques de uma reportagem sobre o restaurante Salomé, na Olegário Maciel. Mas o dono do bar, Fabiano Alves, não parece satisfeito. Ele pede que o garçom recolha o chope e traga outro. “Não abro mão de a caneca zero grau chegar à mesa congelada por fora”, diz Fabiano. Esse é apenas um dos cuidados que o candidato a novo rei da noite – é pule de dez entre os frequentadores da casa que quando a pandemia acabar o Salomé será considerado o melhor bar da Barra – tem no comando do lugar diferenciado.


A música ao vivo, um dos diferenciais do bar (o único da rua com ambiente fechado., com ar-condicionado e palco para shows) já está de volta ao Salomé. Nesta sexta, dia 2, tem show de rock e blues com Joannes Cardoso e Valcir Jr. Enquanto na quinta, 8 de outubro, é a vez do cantor Alex Cohen subir ao palco do Salomé.


O novo conceito de boteco - que aterrissou na Barra em meados de fevereiro de 2020 - já transformou uma mercearia que há mais de 40 anos existia no Jardim Paulistano, no interior de São Paulo, num dos bares mais apaixonantes da cidade e do País. Quando tudo levava a crer que o mesmo fenômeno aconteceria aqui no bairro, veio o duro golpe: a pandemia que parou o mundo.


“Deu uma deprê, mas não dava para pensar em desistir, porque não tínhamos noção do que seria a pandemia”, comenta Fabiano. “Fiquei desesperado. Meu medo era meu pai chegar e dizer que tinha que fechar”, diz o filho de Fabiano, Matheus Silva, chef que pilota a cozinha do bar.


Para a alegria da vida noturna, o Salomé, após um breve pit stop, segue a retomada dos trabalhos a todo vapor. A intenção de despertar sentimentos e emoções diferenciados nos seus clientes ressurge a cada noitada criada pelo agora programador cultural da casa, Joaquim Vidal. “Haverá sempre uma programação diferenciada”, avisa Joaquim, com vasta experiência na boemia.


E o novo set list do bar começa quente com a 'Terça das Mulheres'. Fabiano não está para brincadeira e oferece dose tripla de gin para a mulherada. Por cerca de R$ 11, dá para tomar o drinque da moda. O milagre da multiplicação também acontece com as caipis. “A Noite das Mulheres é para os homens também. Quero criar algo aqui como a 'Noite do Torpedo', que eu fazia no antigo bar Bastidores”, diz Joaquim, um expert no quesito azaração. “Saiu até casamento dos casais que se formaram naquela noitada”, recorda.


As quartas são reservadas para o futebol. E enquanto a música ao vivo não é liberada, o ritmo de quinta em diante segue o fluxo do novo normal.


Gastromomia: um capítulo a parte

O medalhão com arroz a piamontese da casa: Divino

A gastronomia do Salomé é um capítulo a parte. Entradas certeiras como bolinhos de costela e molho caseiro de maionese (12 unidades, R$ 23) são preparadas com esmero por Matheus. Para abrir os trabalhos, entre escondidinhos, saladas e omeletes, destaque para os dadinhos de tapioca com molho de goiabada cremosa com pimenta rosa e alecrim (12 unidades, R$ 29). Como todo boteco que se preza, tem até porções de amendoim por R$ 9.


Os Burguers também saltam aos olhos, como o X-Salomé bacon duplo, com dois hambúrgueres artesanais de picanha e fritas (R$ 25). Sandubas no baguete também marcam presença. É o caso do o mignon com cheddar (R$ 26). E até uma variedade de palmitos fazem a diferença do extenso cardápio, como o de carne seca com catupiry (R$ 55).


Um inusitado parmegiana de tilápia aperitivo (R$ 56), uma casquinha de siri (uma unidade, R$ 16) e uma porção de torresmo com mandioca frita (R$ 33) são outras belas surpresas tiradas da cartola pelo chef.


“Todos os pratos são preparados no momento do seu pedido”, garante Matheus, que cozinhou para a nossa equipe uma pasta com camarão (R$ 34,90) e um medalhão com piamontese (R$ 44,90). Divinos!


Para acompanhar tudo isso, uma carta de biritas generosa com espumantes, vinhos, drinques com gin, licores, caipis diversas, destilados, combos com vodka e energético e um punhado de novidades como o versátil Jãgermeister, composto alemão de 56 ervas, frutas e raízes (R$ 17).


Além de canecas de chope zero grau, apostamos no Tanqueray Tônica Frutas Vermelhas – morango, framboesa, amora e chá de frutas vermelhas ($ 33,90). A chave de ouro veio com a saideira. Tequila ouro, Cointreau, suco de limão, laranja, gelo, além de uma garrafinha de Corona por cima do copo. É a vedete Coronita, que sai a R$ 29.


Como nada é tão maravilhoso que não possa melhorar, antes de deixar o estabelecimento, ganhamos ainda um presentinho do dono da casa. Uma cachaça Salomé de banana de outro planeta. Seguindo as instruções do rótulo para consumir a bebida gelada, colocamos no freezer assim que chegamos na redação. Acabou em 20 minutos. Saúde!

A caneca zero grau e o bolinho de costela
A Coronita

© by A Folha do Bosque

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