O mar de lama e lixo das lagoas

Limpeza do local pode levar cerca de 15 anos. Enquanto isso, moradores retiram uma tonelada e meia de lixo do local em apenas duas horas

Na sede da Jet Barra, localizada próximo ao Condado de Cascais, moradores organizam parte do lixo retirado, recentemente, do entorno das Ilhas da Barra

O quadro é de fim de linha. Segundo o biólogo Mario Moscatelli, estamos diante do processo de extinção das lagoas da Barra. Moscatelli chegou a essa conclusão no início desse mês, du- rante a primeira visita técnica feita no local pela concessionária que assumiu o saneamento básico da região após o leilão da Cedae e terá que recuperar o complexo lagunar. Acredite se quiser: a embarcação usada pela comitiva da concessionária Iguá não conseguiu navegar por causa do alto nível de assoreamento. A inspeção, que tinha como objetivo avaliar a degradação do sistema e definir as prioridades da empresa, não aconteceu.


“Os trechos mais graves e que precisam de intervenções mais velozes não puderam ser visitados. Era como empurrar o barco na lama”, disse Moscatelli.

Alguns dias depois, no domingo, 5 de setembro, cerca de 200 pessoas se juntavam para uma ação de limpeza nas Lagoas da região. Em apenas duas horas, eles retiraram uma tonelada e meia de lixo do entorno das ilhas da Barra da Tijuca.


“Já retirei mais de seis toneladas de

lixo da região, somando todas as minhas ações de limpeza. Isso inclui fogão, geladeira e sofás”, disse a organizadora do movimento, a advogada Débora Futscher, que desenvolve ações de limpeza no local há oito anos.


“Essa de agora foi ótima, pois contou um número grande de voluntários”, avaliou.


Apenas de garrafas pet, o grupo recolheu 2.349 unidades. Embalagens de quentinhas foram mais de 1.100. É um número assustador. Imagina isso tudo somado ao esgoto despejado in natura do complexo lagunar.


Pelas contas do oceanógrafo David Zee – nomeado pela Agenersa como responsável pelo controle social do saneamento na região – a concessionária deve levar de dez a 15 anos até conseguir conectar o esgotamento de todas as casas na rede coletora e fazer o tratamento adequado.


Na ação de limpeza realizada pelo grupo de voluntários, o lixo recolhido era despejado na base da escola náutica Jet Barra, que realizou o evento junto a empresa Rio Radical, com o projeto Limpando Trilhas, o Núcleo Maré, o instituto Rexponsa, a escola Vivendo um sonho, da Rocinha, entre outras associações.


O grupo planeja outra ação de limpeza no local, que deve ser realizada em outubro, ou novembro.


Mais fotos da ação de limpeza das lagoas...

Uma das organizadoras da ação, Débora Futscher