A importância da saúde emocional
Com o acelerado envelhecimento da população brasileira, especialista alerta que a qualidade de vida na maturidade depende não apenas da boa saúde física, mas também da capacidade de reconhecer, acolher e elaborar emoções acumuladas ao longo da existência

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população com 60 anos ou mais representará quase 40% dos brasileiros até 2070. No entanto, a forma como a sociedade enxerga o ato de envelhecer ainda está presa a uma visão puramente biológica, focada na perda de vigor físico, no surgimento de doenças crônicas e nas marcas do tempo na pele.
Contudo, para profissionais da saúde mental, a verdadeira virada de chave para a qualidade de vida no envelhecimento está em uma dimensão frequentemente invisibilizada: a arquitetura emocional.
De acordo com o psicólogo e pedagogo Fábio Paiva, que atua há mais de sete anos na clínica da família desenvolvendo projetos de gestão emocional com profissionais de saúde, educadores e idosos, o grande obstáculo da maturidade é que muitos indivíduos chegaram a essa fase sem ter tido a oportunidade de desenvolver um letramento emocional ao longo da vida. “O que mais impacta a qualidade de vida nessa fase não é somente o corpo, é a forma como a pessoa lida com suas emoções, com sua história e com o sentido da própria existência.”, declara ele.
A ausência desse aprendizado faz com que sentimentos desconfortáveis sejam interpretados como inimigos a serem evitados ou escondidos, gerando um profundo vazio existencial. Segundo Paiva, esse vazio não reflete a ausência de vida, mas sim a falta de entendimento e nomeação sobre o que se sente internamente.
“No meu trabalho, ajudo as pessoas a fazerem contato com suas emoções de forma consciente. As emoções, mesmo aquelas que costumamos chamar de “negativas”, não são inimigas. Elas são sinais, são movimentos internos que precisam ser reconhecidos e compreendidos.”, explica o psicólogo.
“Quando não fazemos isso, tendemos a reprimi- -las. E o que é reprimido não desaparece, apenas se intensifica com o tempo.” Quando as perdas e frustrações da vida não são devidamente elaboradas, o custo psicológico é alto: “Quando esse processo emocional não é cuidado, ele pode evoluir, uma tristeza mais persistente pode se aprofundar, uma ansiedade desregulada pode se tornar um transtorno e, em alguns casos, até desencadear crises mais intensas, como o pânico.”, alerta Paiva. Ele acredita que o cuidado com as emoções não deve começar na velhice. Ele precisa ser construído ao longo da vida: “Quanto mais cedo aprendemos a nos compreender, mais recursos teremos para lidar com as fases mais desafiadoras da existência. Não é raro encontrarmos pessoas com idade avançada que demonstram leveza, presença e energia. Mas isso não acontece por acaso. São pessoas que, de alguma forma, aprenderam a lidar com o que sentem.”, conclui.
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Fábio Paiva: (21) 96952-4867
Instagram: @fabiopsipaiva



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